NO AR:  PROGRAMAÇÃO MUSICAL    |   DEPOIS:  [20:00] POOL CLASSICS com HUMBERTO JEN
 
PINBALL : Ícone de muitas gerações

Aposto uma ficha de fliperama, se existe alguém que nunca torrou a mesada nas máquinas de pinball mais próximas de casa ?

Na minha época era assim e com certeza na adolescência de milhões de garotos do mundo todo.Pinball é o nome oficial para aquelas máquinas de fliperama, que se tenta controlar uma bola de metal com 2 rebatedores, os chamados "flippers".

Considerado um dos grandes ícones do estilo de vida americano, junto com os carrões e o hamburguer, esta paixão foi importada para o mundo todo, principalmente, após a 2. Guerra Mundial, quando os americanos demostraram sua supremacia tecnológica.

 

Aperfeiçoado de um antigo joguete do século XIX, o Bagatelle, onde a bola batia em pinos e caiam em buracos com valores diversos, o Pinball (bola  no pino), recebeu

avanços e melhorias com o passar das décadas, chegando a união com o vídeo, nas máquinas Pinball 2000 da fábrica Williams, uma das maiores empresas do setor,

que há quase 10 anos desativou a sua linha de produção.O Pinball, teve vários momentos de glória, ficando famoso nos anos 70, quando existiam fábricas em diversos países. No Brasil, uma delas, a mais famosa, foi a Taito, que tinha um know-how impressionante, apesar da reseva de mercado imposta por aqui. A Taito lançou máquinas dos principais fabricantes estrangeiros, produzindo versões nacionais, por vezes até melhores que as originais.

 

Quem não se lembra do famoso Pinball Cavaleiro Negro ? Fire Action ? Oba-Oba, que tinha como tema o sambista Sargentelli e suas mulatas ?

 

A febre do Pinball nos anos 70 e início dos 80, fazia com que em cada esquina do país existisse um casa de fliperama ou mesmo em qualquer boteco, uma máquina repousasse ali no canto.

 

Tal, como foi o video-poquer ou video-bingo, há pouco tempo atrás, as gigantes máquinas de pinball ocupavam estes locais, por muitas vezes inadequados e espremidas entre geladeiras e engradados de bebidas, na sua fase de ouro.

 

No final dos anos 70, leis municipais tentavam for um fim aquela perdição de uma geração de garotos, vislumbrados com as luzes e os barulhos que o Pinball emitia, proibindo a presença destas máquinas a distâncias nunca menores que 500 metros de escolas e colégios.

 

Mas nada detinha o "vício" dessa garotada, que percorria distâncias muito maiores só para jogar na nova máquina lançada pela Taito.

 

Aqui, em São Paulo, vários fliperamas ficaram famosos pela quantidade e variedades de máquinas que disponibilizavam para os clientes.

 

Talvez, o mais famoso tenha sido o Fliperama Tommy, alusão à Ópera-Rock do grupo The Who, que conta a história de um rapaz cego que se torna o campeão no Pinball.

 

O Fliperama Tommy ficava no bairro de Moema, na esquina da Alameda Jurupis com a Av. Imarés, e tinha como vizinhos o Shopping Center Ibirapuera e a Doceria Brunella, ponto de encontro da moçada naqueles tempos.

Com estacionamento mais  um salão amplo e arejado, o Fliperama Tommy não tinha como ser classificado, como "lugar de maconheiro", rótulo que os muitos outros pontos da cidade recebiam das mães apreessivas que eram obrigadas a ter que buscar seus filhos "pela orelha" para tirar daquele "antro de marginais".

 

A Taito do Brasil fechou suas portas em 1986, época de crise no mercado que perdia cada vez mais seus clientes para outras formas de diversão. Os arcades e até os primitivos games caseiros detinham a atenção do público, pondo fim a hegemonia do Pinball. Assim, ocorria um hiato de aproximadamente 5 anos, a partir da metade dos anos 80, aqui no Brasil.   

 

Nos anos 90, a situação se alterou, com as importações liberadas, o Pinball voltou a fazer parte do entreterimento, não mais em locais exclusivos, mas sim, com o ingresso dessas máquinas nas áreas de lazer dos shoppings-centers das grandes cidades, tendo o Pinball renascido em uma grande fase com mais tecnologia embarcada, tentando fazer frente aos Video-games que se superavam cada vez mais.

 

Essa última febre de pinball, dos anos 90, teve repercussão mundial. Eram produzidas milhares de máquinas nos Estados Unidos e vendidas para o mundo que as consumiam incansavelmente. Nesta fase, foram fabricadas mais de 20 mil unidades, só do modelo de Pinball com o tema da Família Addams, sendo considerada a recordista comprovada de vendas.

 

Atualmente, apenas uma fábrica nos Estados Unidos, ainda produz Pinball, a Stern que permanece no mercado produzindo poucas mas boas diversões para os amantes deste "esporte", que hoje mantém suas próprias máquinas, como itens de coleção, em casa ou reunidos em clubes de aficcionados pela bolinha prateada.

 

Humberto Jen

Colaborador da Pool Web Radio

 
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