Ele nasceu em uma pequena e desconhecida cidade do Texas (Galveston), mas tornou-se um dos símbolos de uma Era e uma das vozes mais marcantes da música universal. Barry White é o nome artístico de Barrence Eugene Carter, o “Voz de veludo”. Também foi chamado de “Maestro”, ao longo da carreira pelas contribuições nas melodias e nas letras de canções. Em verdade, a sua carreira inicial como cantor em um grupo musical foi pífia. E foi justamente isso que acabou por garantir a ele um futuro (e que futuro) na indústria fonográfica.
Vale lembrar que, no início dos anos 60, quando Barry iniciou o até então discreto vôo na carreira artística, as músicas eram executadas com todos os instrumentos. Já a partir dos anos 80, alguém com um computador ou teclado conseguia construir trilhas sonoras inteiras, sem saber tocar um único instrumento.
Mas não era assim antes disso. Por isso a sincronização dos arranjos, acordes e tons eram muito importantes nos anos 60 e 70. E também nisso (além das letras), o Maestro era muito bom.
Abrindo um parêntesis, ao fazer uma apresentação ao vivo, qualquer artista nessa época deveria ir acompanhado de sua banda com todos os músicos e instrumentos. Com o advento dos playbacks de alta fidelidade e da música eletrônica, tudo ficou mais fácil e mais barato (viagem, hospedagem, cachês, etc), embora também mais “robotizado” e com menos “brilho”.
No início de 73, trabalhando como produtor musical (ele já havia produzido vários artistas à época e lançado o Love Unlimited – aguarde post sobre o assunto), ele estava ouvindo e selecionando fitas demo de diversos cantores.
A música a atingir o top ten americano (número 1 em R&B, terceiro na parada geral) e que desencadeou todo o frisson em torno desta lenda da música pop foi “I'm Gonna Love You Just a Little More Baby”. Ainda em 73, o primeiro ano da carreira solo, veio outro super hit de Barry: “Never, Never Gonna Give You Up”.
Outras músicas de destaque foram “Can't Get Enough of Your Love, Babe” (1974), “You're the First, the Last, My Everything” (1974), “Let the Music Play” (1976), “It's Ecstasy When You Lay Down Next To Me” (1977), “Just The Way You Are” (1978), “I Love to Sing the Songs I Sing” (1979), “Lady, Sweet Lady” (1980), “Change” (1982), dentre várias outras (foram tantas que, com certeza, esqueci de destacar alguma).
Quem é bem mais jovem, mas assistiu ao seriado Ally McBeal (Fox), deve lembrar bem de "You're the First, the Last, My Everything”, que tocou em muitas oportunidades, pois era a música preferida de, Cage, um dos protagonistas (chefe de Ally). O próprio Barry White apareceu algumas vezes cantando no seriado, como no aniversário de Cage. Vale a pena conferir trechos do seriado com a música e com a “dança” de Cage, que foi repetida várias vezes ao longo da comédia:
http://www.youtube.com/watch?v=4FNIEn5CTyM
http://www.youtube.com/watch?v=Qsawsq5-Xt8
http://www.youtube.com/watch?v=rhypFRWew4Q
O homem que cantou o amor em melodia, verso e prosa, morreu em 2003 de falência renal, devido a complicações crônicas de coração. Estava na fila de transplante.
Segundo Luciano Pavarotti, seu amigo pessoal (os grandes sabem se reconhecer), suas palavras finais foram: “Leave me alone, I’m fine”.