| Mouse, Internet, Links e Video-conferência, tudo isso há 40 anos |
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Um cientista de 43 anos chamado Douglas Engelbart apresentou ao mundo, de uma só tacada, o mouse, a internet e a video-conferência. Engenheiro e visionário, Engelbart apresentou todas estas tecnologias juntas em dezembro de 1968. Aquela apresentação, apelidada de ‘a mãe de todas as apresentações’, foi realizada na Universidade de Stanford para uma platéia de engenheiros da computação estupefatos. A ArpaNet, que viria a se transformar na internet, só seria inaugurada alguns meses depois e cientistas de todos os EUA estavam empolgados com a novidade. Aproveitando-se desta animação, Engelbart se propôs a demonstrar os possíveis usos de uma rede de computadores como aquela. O trabalho que ele apresentou não foi organizado de uma hora para outra. Ele e sua equipe de Stanford vinham pesquisando, com verbas da NASA e do Pentágono, desde 1963. O mouse é apenas uma das ferramentas que eles criaram e demonstraram em 68. (“Como esse instrumento lembra um ratinho”, disse Engelbart naquele palco, “alguns de nós começamos a chamá-lo de mouse; talvez o nome cole”.) A apresentação foi toda filmada e está disponível neste link http://sloan.stanford.edu/MouseSite/1968Demo.html O engenheiro tinha um telão às suas costas de maneira que o público podia ver o que ele fazia na tela. Alguns risos de fascínio podem ser entreouvidos quando ele apresenta o mouse. Seu monitor estava ligado em rede a um computador no outro lado da cidade. (Não custa lembrar: computadores contavam-se às dezenas no mundo. Vários monitores podiam ser ligados a um só computador, só que, mil vezes menos poderoso do que um iPhone.) Após apresentar o mouse, como uma versão mais antiga de Steve Jobs apresentando seus novos produtos, o cientista pôs-se a navegar na tela clicando em hiper-links. Que ele chamou de links. E, a cada link, uma nova página era aberta com novos textos e novos links. A web foi criada apenas em 1989, mas já estava esboçada. Dotado de um rádio transmissor, enquanto apresentava as possibilidades daquela rede que estava para nascer, o cientista conversava com sua equipe, no laboratório, (com um hearphone/microphone headset, desse que os telemarketing usam e abusam), que a tudo acompanhava. Em um momento, ele faz mágica: faz aparecer uma janela no monitor e lá está o rosto, em movimento, de um de seus engenheiros. Eles começam a conversar: videoconferência. Messenger em preto e branco no ano de 1968. Mas não era 100% internet, na verdade, embora o vídeo estivesse realmente no monitor de Engelbart, a transmissão não foi feita pela rede computacional mas sim pelo ar. Uma transmissão comum de TV, só que bi-direcional. As duas novidades, ali, eram a possibilidade de digitalizar a transmissão de vídeo para que ele aparecesse no computador, e a demonstração de que, com mais banda e algum poder maior nos computadores, conversas por vídeo seriam possíveis. A tecnologia de digitalização que eles desenvolveram foi aproveitada alguns meses depois, pela NASA, para transmitir ao vivo, pelo mundo, a chegada do homem à Lua. O mais impressionante da mãe de todas as apresentações, não é isso. Engelbart não possibilitou apenas uma transmissão ao vivo da Lua ou apresentou o mouse ao mundo. Fez muito mais do que isso: imaginou a internet e, ao imaginar, guiou por décadas o seu desenvolvimento. Pool Web Radio Dezembro 2008 |
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